segunda-feira, 30 de março de 2020

As faces da minha pré-adolescência - A nerd

2007, 6ª série - 12 anos: Olimpíadas

Era uma tarde qualquer de um dia qualquer. Eu estava fazendo nada como sempre, em casa, ainda de uniforme, após chegar da escola. O telefone tocou.
- Gostaria de falar com Luiza Agostinho Pena?
Eu, no auge dos meus 11 anos, nunca tinha presenciado alguém me chamando pelo nome completo no telefone. "Estou devendo? Fiz alguma coisa errada?" eram os únicos pensamentos plausíveis.
- Er... Sou eu.
- Oi Luiza, aqui é o Fulano do departamento de matemática da UFMG. Estou entrando em contato pois vamos ter a entrega de medalhas esse fim de semana na UFMG e gostaríamos de confirmar sua presença.
- O que?
- Você não sabia? Você foi uma medalhista de bronze na olimpíada de matemática.
- É sério???
- (risos) Sim, poderia comparecer na celebração? Pode levar 2 convidados.
- Claro!!

No outro dia, estava desesperada pra começar a aula de matemática. Quando a aula acabou, fui até a mesa do Herbert.
- Fessô! Você não vai acreditar!!

Teve a entrega das medalhas. Fiquei muito feliz que o Pedro Honório ganhou uma menção honrosa e ele estava comigo na entrega. Chamaram um por um igual se fosse uma colação de grau de formatura. Mamãe e Papai estavam muito orgulhosos. Eu ganhei um presente deles nesse dia, o super lançamento da tradução do Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Lembro do Herbert dizer pra mim o quanto eu era especial, que era pra eu lembrar disso enquanto eu fosse crescendo e as coisas ficarem mais difíceis.

Na segunda-feira seguinte, teve uma homenagem na escola na hora do intervalo. Vergonha? Lógico que não, eu tava muito feliz e querendo mostrar minha medalha pra todo mundo. Teve eu, o Pedro e um Tadeu. Nossos amigos estavam orgulhosos, e todo mundo me elogiava que eu era muito inteligente. Nossa, que auge.

O Pedro também era tão brilhante, sinto muita saudade. Eu, a Giulia e a Mary éramos umas das únicas que tratavam ele bem e, mesmo assim, ainda tenho vontade de ter pedido desculpas pra ele.
O dia que fiquei sabendo de tudo, lembro de ter saído no meio de uma aula do Coltec, e ter encontrado com todos no parque renascer. Eu chorei muito, muito mesmo, queria ter sido mais amiga dele e ter dado apoio mais a ele.
Nessa hora, 3 anos depois desse dia de alegrias, eu percebi que as coisas eram boas pra mim, mas que não eram pra outras pessoas. O porque? Hoje ainda não entendo. Mas por um lado alguns são inteligentes e honráveis, outros são nerds, cdfs e fedidos. As pessoas são muito cruéis, e eu só tive sorte de não terem sido assim comigo com tantas faces que eu tive.


As faces da minha pré-adolescência - Troca-Troca de Sala

2006, 5ª série - 11 anos: Pula aqui, cutuca lá, conversa aqui e lá

Isso é mais um comentário geral do que uma lembrança específica. Eu lembro que todo ano eu queria mudar de sala, não aceitava ficar na mesma sala com as mesmas pessoas. Teve ano até que eu pedi pra mudar de sala no meio do ano. Ninguém entendia nada.
- Ana Brito: Luiza! Você ta vindo pra nossa sala?
- Luiza: Tô!!
- Girelli: Ahhhh que legal! Senta perto da gente.
(No meio do ano)
- Luizi: Luiza, você voltou pra nossa sala?
- Sim!! Quem é essa?
- Ah, é a aninha, entrou no início do ano!
- Ahhhh, quero conversar com ela.

As faces da minha pré-adolescência - A antiga rua 25

Quero depois tirar um tempo para escrever esse post que vai ser gigante sobre a antiga rua 25

As faces da minha pré-adolescência - Despertar

2005, 4ª série - 10 anos: Acampamento de formatura
Era aquela fase em que subitamente todos percebiam que existiam meninos e meninas no mundo, você começava a olhar seus coleguinhas de outra forma, e a se preocupar com várias coisas. Não podia mais abraçar eles do mesmo jeito, nem sentar de perna aberta, não podia ficar sozinha mais com as pessoas que você brincava desde criança.
Subitamente muita gente começava a se apaixonar, a ter "o menino ou a menina que eu gosto" e a conversar sobre coisas que a gente não tinha a menor noção de como funcionava. Eu particularmente sempre tive uma mente muito ativa desde que me lembro como gente, então eu já tinha os crush a muito tempo. Eu lembro com tipo, 3, 4 anos de idade, falar com o Matheus que ele era meu namorado, dançar com ele e andar de mão dada.

Eu com uns 4 anos, o Matheus com uns 6.

Eu lembro que o primeiro menino que gostei era o Miguel, láaaa no infantil, eu devia ter uns 5 anos. Eu sempre estive gostando de alguém, sempre estive imaginando as coisas e sonhando. Foi engraçado não me sentir boba e ver que muitas pessoas estavam assim também.

Algumas meninas da sala começaram a ter suas primeiras experiências. Uma delas, a Luizi, teve seu primeiro beijo com o Matheus meu primo numa festa junina. Nesse dia mesmo dia de festa junina (foi um dia inesquecível), a gente tava brincando de verdade ou consequência, e alguém me perguntou:
- *cochicha* Ei Luiza, você ficaria com o Lucas Prates?
- Eu não! Ta doida?
É lógico que eu ficaria, ele era um dos meus melhores amigos e nós dois estávamos curiosos com isso tudo.
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Tinha uma menina da outra sala que era ruiva. Eu não lembro o nome dela, como pode? Foi a primeira pessoa ruiva que conheci, achei isso super legal e comecei a conversar com ela e me aproximar. Mas ela era meio maléfica assim, falava mal das pessoas e tudo mais.
A gente ia ter um acampamento de 3 dias na canela de ema. A Giulia não iria. As meninas da minha sala já tinham fechado uma barraca entre si (a Lorena, a Julia Lara e a Luizi). A Girelli, a Mari Grecco e a Ana Brito também fecharam a barraca delas. Eu acabei indo com essa menina ruiva e a amiga dela que, obviamente, também não lembro o nome. Ela era tão maléfica que fingiu que nosso grupo tinha 4 pessoas e pegamos uma barraca maior. hahahaha
No acampamento tinha brincadeiras durante o dia, arvorismo, tirolesa, caça ao tesouro, essas coisas. Mas era a noite que tinham as coisas que a gente mais esperava por causa dessa "nova fase" chamada pré-adolescência. As festinhas.

Eu lembro que gostava de um menino nessa época, o Thiago Torres. Quando eu olho pra trás hoje penso que era bem bonitinho eu gostar dele. Ele era misterioso, confiante, alto, e sempre dançava comigo nas festas juninas. Ele parecia índio, tinha uns traços diferentes, tipo a Julia Lara. Só que ele era muito sério assim, principalmente com as meninas.
O Mateus Alfenas, amigo dele, era um palhaço. Ele pegava no meu pé porque eu tinha colesterol alto, me chamava de colococo. No início eu ficava meio puta e xingava ele falando que isso era sério, mas depois acabamos ficando mais amigos e eu também inventava uns apelidos idiotas pra ele.
Luiza "Ei Mateus, você acha que o Thiago ficaria comigo?"
Mateus "QUE? SERIO? Colococo não beija não! Só bebe refrigerante e come pão com manteiga"
Luiza "..."
Mateus "É sério Luiza?"
Luiza "Sério, acho que gosto dele."
Mateus "Quer que eu fale com ele?"
Luiza "Uhum."
Nossa, eu nunca tinha ficado acordada até tão tarde com os meus amigos. Foi incrível! Eu lembro de ter acontecido alguma coisa que eu me senti deslocada em algum momento, mas não lembro detalhes. Eu usei um vestido rosa que eu amava, eu lembro dele até hoje. Eu lembro de ter dançado com todos enquanto muita gente naquela idade tinha vergonha ainda. Lembro de me sentar numa mesa graaaande com todos para jantar. Mas nada de relevante aconteceu na festa, mesmo eu olhando feio toda a hora pro Mateus, como se esperasse uma resposta.
Mateus "Ei Luiza. Ta subindo pra barraca?"
Luiza "Sim!"
Mateus "Ele disse que não."
Luiza "Ah... tudo bem."

A Ruiva ficou falando mal das minhas amigas a viagem toda, dizendo que se elas fossem minhas amigas de verdade me chamariam pra barraca delas. Eu pensei "Minha melhor amiga é a Giulia. Se ela tivesse vindo, eu chamaria ela pra ir na barraca comigo e não o resto. Cada uma tem as amigas que são mais próximas e elas não deixam de serem minhas amigas por causa disso. Essa menina é louca, vou parar de conversar com ela".

Bom, essa foi a história do meu primeiro toco, da amizade mais rápida que tive na minha vida com essa menina que dividiu barraca comigo e não lembro o nome, e de como a minha pré-adolescência despertou mesmo eu sendo sempre despertada romanticamente.

As faces da minha pré-adolescência - O golpe

2005, 4ª série - 10 anos: Ladra

A gente não tem só história boa né? Isso aqui é pra eu não esquecer a única vez que meus pais foram chamados seriamente na escola. Pra eu não esquecer da Magda me perguntando, olhando no fundo do meu olho, se eu tinha noção de quem poderia ter feito aquilo, já sabendo que tinha sido eu.
- Luiza, se você tivesse me falado a verdade, eu não teria levado na diretoria e a gente tinha dado um jeito de resolver.

As faces da minha pré-adolescência - Metal

2005, 4ª série - 10 anos de idade: Slipknot e Loro querendo biscoito
Eu andei com um povo que gostava de metal, (A Giu tava nessa fase e eu acompanhei) que usava preto e lápis de olho forte. Eu lembro que eu tinha um pouco de medo dos meninos um pouco mais velhos. Lembro muito de um dia, que meu pai tinha comprado um Home Theater e Giu levou um DVD do Slipknot ao vivo pra gente assistir. A gente botou o volume no máximo e ficou pulando igual retardada, hahahaha.
Não esqueço que o dia que eu fui numa festa de aniversário de alguém dessa época, quando eu tinha uns 12 anos, foi o dia em que o Rachide fugiu e ficou 15 dias fora.
As músicas? Ok, nunca foram as minhas favoritas, mas explorei esse mundo.
Engraçado é que no Reveillon desse ano coincidentemente um dos meninos do grupo metaleiro dessa época passou ele com a gente. O Alexandre. Ele era meio doido assim, ficava batendo a cabeça na aula, hahaha. Mas era uma pessoa que gostava muito de música pra um menino de 11 anos. Tanto que ele acabou tocando piano e fazendo música na UFOP.
Eu e a Giulia íamos passando por essas fases e não lembro de ninguém encher nosso saco por isso.

Nessa época, eu vendia pulseiras na escola. Eu sempre ia na galeria do Ouvidor comprar as miçangas e os materiais e fazia em casa. Eu lembro de ter comprado umas miçangas com letras do alfabeto, daquelas que você usa pra escrever o nome das pessoas nas bijuterias, sabe? Eu comprei miçangas rosas e fiz um presente pra Giulia, era uma pulseira escrita "SlipKnot" hahahahaha

Eu lembro que a Giulia me corrigia na pronúncia:
"É islipnót Luiza! E não islipikinote"

Foto: Eu e a Giu "Evil" (ainda maior que eu hahaha). A gente estava na 4ª ou 5ª série com uns 10 anos.



As faces da minha pré-adolescência

- Dan: Você vai ser muito mais feliz no COLTEC, Luiza. Lá no INED a gente vivia num mundo de gente mesquinha e que trata a gente conforme a impressão inicial que a gente passa. Aqui é muito diferente... Ah, e tem o CEU e a UFMG é pertinho da sua casa né?

É... Foi uma boa decisão mesmo.

Mas eu não achava o INED tão mesquinho assim, principalmente depois do que eu vi no CSA.
Eu fico pensando que eu dei todos os motivos pra me tratarem mal, se você for seguir a mente maligna de um pré-adolescente, e não foi isso que aconteceu no final das contas.

Vamos voltar ao começo?

Eu tava lembrando de umas coisas ruins da 8ª série/9º ano, e comparando essas coisas com o Coltec quando comecei a escrever.
Mas reparei que tem muita coisa antes disso que eu também não posso esquecer.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Pascal

Isso foi mais pra frente mas já quero registrar isso pois essa memória veio bem fresca na minha cabeça esses dias.

Eu estava decidida a fazer várias coisas no Coltec e experimentar coisas novas. Queria aprender a programar e iriam ter umas aulas de Pascal à tarde nos nossos horários livres. Conversei com o Thomaz e decidimos fazer juntos.

No primeiro dia de aula, fomos para uma sala pequena na gaiola da Info. Lembro que eram 4 mesas compridas que cabiam 3 pessoas em cada mesa. O quadro ficava na direita e eu sentei na mesa da frente da direita bem em frente ao quadro, junto com o Thomaz.

O Ítalo sentou atrás de mim.

Não lembro exatamente o contexto, mas lembro que eu estava uma palhacinha esse dia (acho que eu estava animada com um curso e com a aula nova) e eu tava inspirada fazendo alguns comentários engraçados dependendo do que a professora falava.

Em vários desses comentários, eu lembro do Ítalo dar umas palas. Eu lembro de ter reparado nele logo nesse primeiro dia. É muito bom quando alguém ri sinceramente de algo engraçado que a gente fala. Logo nesse dia já pensei "ele deve ser legal".

Começou

Eu não tinha noção exatamente do que seria diferente dessa vez, mas eu tinha alguma ideia sim...

Não consigo lembrar direito hoje (afinal, já fazem 10 anos) mas acho que os planetas estavam se alinhando de alguma forma que a minha confiança estava no máximo, muito alta mesmo. Eu tive momentos agradáveis como nunca tinha tido antes: conhecendo um tanto de gente nova, sentindo que as pessoas gostavam de mim, planejando o que eu iria fazer com todo aquele tempo e com aquelas pessoas que eu conviveria.

No geral, algumas coisas me veem à cabeça:
  • Sou muito grata por ter me aproximado tanto do Zã. Acho que ele que criou esse sentimento forte em mim de que eu deveria mesmo ir pro Coltec e que eu seria feliz é lá. Ele me acolheu, me apresentou pessoas incríveis. Eu ouvi ele e ele me ouviu muitas vezes. Esse início foi tão importante. Não sei como não somos tão próximos hoje (talvez ele tenha sido mais importante pra mim, ele foi meu veterano que cuidou de mim, talvez eu não tenha impactado ele do mesmo jeito).
  • É engraçado como que muitas pessoas que impactaram na minha vida eu já conheci nos primeiros dias do colégio.
  • Também sou muito grata por ter caído na turma 106. Nossa, muito do que eu sou veio disso.

Provavelmente o que começarei a relatar a partir daqui não será em ordem cronológica, mas espero que façam sentido para o meu coração.

Notas:
Algumas coisas que eu lembro dos primeiríssimos dias:

  • O Zé Mateus (mais duas pessoas que não lembro) conduziu as apresentações da nossa turma. Eu lembro de subir numa mesa pra me apresentar, e quando ele me perguntou me signo eu disse "Áries, com ascendente em capricórnio e lua em libra" com muita confiança. Eu lembro dele achando essa resposta um máximo e a turma achando engraçado (e impressionados ao mesmo tempo). Foi um momento legal.
  • O trote. Lembro do João sendo ele como sempre, e lembro dele pedir pra eu beijar o mamilo do Chester. Lembro de só ter falado "não, seu idiota" muito séria, e ele ter ficado olhando pra mim de vez em quando várias vezes naquele dia. O Chester ficou com vergonha e pediu pra eu ignorar. Nesse dia eu pensei "tem gente idiota e legal por aqui".
  • Lembro do João, na primeira semana, sentado no morrinho da FACE, perto do ponto do branquinho. Ele estava com os amigos dele e quando passei me perguntaram pra onde eu estava indo. Eu respondi "estou indo fazer minha carteirinha do CEU" e perguntei se era ali mesmo que pegava o branquinho. Eles tentaram me enganar falando que eu tinha que andar até a Belas Artes. Lembro de ter tido um lapso de confiança e respondido "ah entendi! Então é aqui mesmo, obrigada!". Eles riram muito, falando que nem todo calouro era burro. O João ficou sério e me olhando de novo.
  • Lembro de ter conversado com a Dani antes da primeira aula, pois a gente não sabia de que sala éramos. No final ficamos em salas diferentes e não nos aproximamos muito no primeiro ano, mal sabia eu que ela se tornaria uma grande amiga. Ela foi a primeira pessoa com quem eu conversei no colégio.
  • O Thomaz foi a segunda pessoa, hahahaha, o jeito que ele conversou comigo no primeiro dia é exatamente o mesmo jeito que ele conversa comigo quando me encontra hoje em dia. Pessoa incrível.

Muita coisa, talvez eu vá editando esse post a medida que eu for lembrando.

Nasce uma nova versão adolescente de mim

Até então, eu era uma adolescente comum, cheia de anseios, inseguranças, sonhos e tempo livre, mas aquele ano me mudou. O ano de 2009 é um ano que eu lembro de poucas coisas sobre. Lembro que fui para um território diferente com pessoas diferentes. Choques de realidade. Tive meus defeitos expostos, sofri, pensei muito sobre mim.


Fugi. Desisti de algo grande pela primeira vez na vida. Mas não sei como, acabei juntando forças e dando uma reviravolta em um período de tempo tão curto, tipo 2 meses. Foi uma reviravolta de ter vontade de fazer algo, dedicar de verdade. Estudei, pratiquei esportes, emagreci, comecei a me cuidar e comer direto, passei a prestar atenção nas pessoas à minha volta e a tentar observar o mundo de forma mais inteligente.
Passei no colégio que eu queria. Eu começaria agora o ensino médio em 2010 numa vida completamente nova.

E o que eu fiz? A gente evolui mas não perde alguns costumes. Fui para a comunidade de calouros no Orkut para tentar já conhecer pessoas.

As faces da minha pré-adolescência - A nerd

2007, 6ª série - 12 anos: Olimpíadas Era uma tarde qualquer de um dia qualquer. Eu estava fazendo nada como sempre, em casa, ainda de u...