2007, 6ª série - 12 anos: Olimpíadas
Era uma tarde qualquer de um dia qualquer. Eu estava fazendo nada como sempre, em casa, ainda de uniforme, após chegar da escola. O telefone tocou.
- Gostaria de falar com Luiza Agostinho Pena?
Eu, no auge dos meus 11 anos, nunca tinha presenciado alguém me chamando pelo nome completo no telefone. "Estou devendo? Fiz alguma coisa errada?" eram os únicos pensamentos plausíveis.
- Er... Sou eu.
- Oi Luiza, aqui é o Fulano do departamento de matemática da UFMG. Estou entrando em contato pois vamos ter a entrega de medalhas esse fim de semana na UFMG e gostaríamos de confirmar sua presença.
- O que?
- Você não sabia? Você foi uma medalhista de bronze na olimpíada de matemática.
- É sério???
- (risos) Sim, poderia comparecer na celebração? Pode levar 2 convidados.
- Claro!!
No outro dia, estava desesperada pra começar a aula de matemática. Quando a aula acabou, fui até a mesa do Herbert.
- Fessô! Você não vai acreditar!!
Teve a entrega das medalhas. Fiquei muito feliz que o Pedro Honório ganhou uma menção honrosa e ele estava comigo na entrega. Chamaram um por um igual se fosse uma colação de grau de formatura. Mamãe e Papai estavam muito orgulhosos. Eu ganhei um presente deles nesse dia, o super lançamento da tradução do Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Lembro do Herbert dizer pra mim o quanto eu era especial, que era pra eu lembrar disso enquanto eu fosse crescendo e as coisas ficarem mais difíceis.
Na segunda-feira seguinte, teve uma homenagem na escola na hora do intervalo. Vergonha? Lógico que não, eu tava muito feliz e querendo mostrar minha medalha pra todo mundo. Teve eu, o Pedro e um Tadeu. Nossos amigos estavam orgulhosos, e todo mundo me elogiava que eu era muito inteligente. Nossa, que auge.
O Pedro também era tão brilhante, sinto muita saudade. Eu, a Giulia e a Mary éramos umas das únicas que tratavam ele bem e, mesmo assim, ainda tenho vontade de ter pedido desculpas pra ele.
O dia que fiquei sabendo de tudo, lembro de ter saído no meio de uma aula do Coltec, e ter encontrado com todos no parque renascer. Eu chorei muito, muito mesmo, queria ter sido mais amiga dele e ter dado apoio mais a ele.
Nessa hora, 3 anos depois desse dia de alegrias, eu percebi que as coisas eram boas pra mim, mas que não eram pra outras pessoas. O porque? Hoje ainda não entendo. Mas por um lado alguns são inteligentes e honráveis, outros são nerds, cdfs e fedidos. As pessoas são muito cruéis, e eu só tive sorte de não terem sido assim comigo com tantas faces que eu tive.



